
No dia 28 de abril, o professor Marco Bonito chegou à sala com uma novidade sobre nosso, até então, trabalho proposto, a criação de um blog (já que a matéria dada pelo mesmo é webjornalismo nada mais justo que praticar com alguma ferramenta da web) com o tema de nosso futuro Trabalho de Conclusão de Curso. Como se não bastasse todo meu temor em ter de decidir prematuramente sobre o tal assunto (mesmo podendo depois mudar o tema quando eu chegar no 7º período), agora teríamos de criar uma revista digital, com editorias e mais, textos “linkados”.O assunto escolhido, ou melhor ‘dado’ a mim, foi Jornalismo Gonzo. Perdida sem saber se me dedicaria ao Jornalismo Musical e Jornalismo Cultural, eis que o mestre me ilumina o fim do túnel com o tal desconhecido tema: Jornalismo Gonzo.
Para aqueles que desconhecem o termo como eu desconhecia vou resumir, se o Novo Jornalismo ou o Jornalismo literário eram uma revolução nos anos 60, o Jornalismo Gonzo foi a radicalização de ambos. Enquanto os dois primeiros tentavam buscar certa “imparcialidade” das matérias ainda com o uso da terceira pessoa, o Gonzo escancarava e deixava tudo as claras, como diria minha avó, “em pratos limpos”.
Segundo o gonzo jornalista André Julião, “o correto é dizer que o repórter gonzo altera o objeto de sua reportagem da mesma forma que o objeto altera o próprio repórter.”
A essência Gonzo é relatar as sensações do fato que o repórter vivencia e não só o que ele observou, ele pode interferir criando um vínculo com o leitor, o texto irá refletir o que o autor pensa e sente.
O gonzo nasceu meio que “acidentalmente”, quando Hunter Thompson escreveu um artigo chamado “O Kentucky Derby é decadente e depravado”, e seu amigo Bill Cardoso, também jornalista lhe escreveu dizendo: “Eu não sei que porra você esta fazendo, mas você mudou tudo. É totalmente Gonzo.”
Diferente do que vocês estão imaginando, Gonzo não tem nada haver com o personagem azul e narigudo do Muppets, e sim com uma gíria franco-canadense gonzeaux, que significa algo como “caminho iluminado”. E foi no auge da contracultura americana que Hunter Thompson recebe o título de “pai” do Jornalismo Gonzo.
Thompson define o Gonzo como “um estilo de ‘reportagem’ baseada na idéia de William Faulkner de que a melhor ficção é muito mais verdadeira que qualquer tipo de jornalismo – e os melhores jornalistas sempre souberam disso.”
Isso não quer dizer que a ficção será necessariamente ‘mais verdadeira’ que o Jornalismo em si (ou vice versa), até porque muitos ainda não conseguiram distinguir a ficção da realidade nos textos de Thompson.
As maiores obras de Thompson estão catalogadas em uma série de livros intitulados “Medo e Delírio”, uma de suas maiores obras que até mesmo se transformou em filme foi “Medo e Delírio em Las Vegas”, traduzido para português (de forma precária) como ‘Las Vegas na Cabeça’ nos anos 80 e depois a editora Conrad o traduziu com o título original, mas sua tradução ainda deixa a desejar.
A narrativa Gonzo, como já foi dito, se mistura ao Novo Jornalismo, Jornalismo Literário (mais a frente saberão um pouco mais sobre este assunto também), sarcasmos e claro a exposição de alguns ‘medos’. A captação de informação para um texto gonzo é totalmente ultraparticipativa, não separando a figura jornalística de sua obra. No gonzo, eu sou o personagem em questão.
Há uma série de situações que devemos nos distanciar do fato e em outros as experiências valerão muito mais, mas isto vocês poderão ver em textos mais a frente.
Para não ficar chato e maçante falarei sobre o que eu devo lhes informar neste tempo em que estaremos juntos.
O que eu gostaria de ter escrito aqui, confesso, era algo totalmente diferente, escrevi diversos textos, mas nenhum parecia se enquadrar no que meu ‘editor-chefe’ esperava da minha humilde pessoa. O que um amigo disse é: “fazer jornalismo gonzo é transformar um evento em algo único, é fazer uma tempestade em um copo d´água, é sentir ódio do mundo, mostrar a realidade nua e crua, enfrentar seus medos.”
Mas quando segui estes conselhos ao pé da letra, percebi que não poderia dizer tudo o que vivenciei, tudo o que eu vi sem ‘magoar’ o ego de alguns colegas.
Mas quem disse que a vida é bela escreve romances, filmes e/ou novelas, porque a realidade pode doer (e MUITO)!
Se hoje não consegui transcrever meus relatos de uma primeira reunião feita para a criação da Revista Digital, intitulada de ‘Infocracia’, nome até que criativo, onde informação e democracia se unem (sei que haverá diversas informações, já a democracia não posso afirmar), depois de um longo ‘Brain Storm’ (que para mim foi algo mais parecido com ‘Brown Storm’, onde surgiram nomes poucos criativos e ainda tive de ouvir a sugestão ‘Ronaldo’, que diabo é Ronaldo?), podem ter certeza que nos próximos textos me sentirei mais a vontade e preparada para relatar esta vivência (sem ofender algum colega com minha visão crítica de tudo), sinceramente penso que será deveras divertido.
Como se não me bastasse o pânico que sinto do tal de TCC, recebi um presente de grego, o cargo de editora do meu editorial, não sei ao certo, mas a antiga editora não se sentiu apta a seguir em frente, pois está cheia de trabalho e trabalhos para executar então, já que nenhum outro membro aceitou a tarefa (árdua e estressante) e claro meu editor chefe parecia satisfeito com a escolha, (suspeito que ele seja um sádico retraído e
vê em mim um objeto de tortura).
vê em mim um objeto de tortura).Antes eu teria apenas de encerrar esta editoria, agora tenho que ser ‘mãe’ de toda ela, já que meus colegas ainda estão um tanto quanto perdidos.
Isto tudo pode parecer a maior balela, a maior asneira já escrita por uma estudante de jornalismo, mas o que realmente penso (ou melhor, escrevo) é o que sinto em relação à falta de interesse das pessoas em trabalhos de ‘classe’.
Se eu fosse jogar na mega-sena não ganharia um real que gastei, mas na ultima reunião eu constatei que realmente esta será uma guerra de alter-egos, e agora eu estarei mais do que nunca no meio dela, ao menos hoje eu pude compreender a essência real do ‘medo e delírio’.
Poliana Zaníni
*Veja mais fotos em: http://picasaweb.google.com/polizanini/JornalismoGonzo?authkey=Gv1sRgCKS3mPzg0uf-BQ&feat=directlink
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